Retornou a pátria espiritual no
dia 05 de maio deste ano, o dedicado e convicto Espírita,
Olímpio Carvalho, sob uma onda de gratidão,
serenidade e muita paz entre todos que foram se despedir
da sua presença física.
Nascido em São Borja, no dia 09 de novembro de 1923, desde pequeno conheceu
de perto a necessidade de sobreviver ante a falta de um pai e as dificuldades
que sua mãe enfrentava em trabalhar como empregada doméstica. Exerceu
as funções de padeiro, açougueiro, vendedor de doces, engraxate
e quando entrou no Exército ainda analfabeto, logo no primeiro ano se
alfabetizou e conquistou com muito esforço o posto de sargento do Exército
Brasileiro, no 17º RI em Cruz Alta, RS.
Tendo sua mãe sofrido um processo obsessivo, ficou surpreendido como foi “curada” pelo
então dedicado médium e querido irmão, Valentim de Castro,
que na época presidia o Centro Espírita Fraternidade de Cruz Alta.
A partir daí, começou a estudar o Espiritismo e tornou-se um exemplo
vivo de dedicação a Doutrina dos Espíritos, com total apoio
do “seu Valentim ”, que na prática tornou-se seu pai emocional/espiritual.
No Exército, diversas vezes foi chamado discretamente pelo comando para
doutrinar espíritos que se manifestavam nos militares que possuíam
mediunidade natural e na maioria das vezes, estavam acompanhado de parentes já falecidos.
Ele era tão cumpridor dos seus deveres que por duas vezes solicitou punição
para si mesmo. Chegou a ser conhecido por “Sargento Caxias” pelo
fato de fazer-se cumpridor do que estava previsto no Regulamento do Exército.
Se aposentou com a patente de Major do Exercito.

Olímpio Carvalho
Seis meses
após ter conhecido
sua esposa Maria de Lourdes, em 1947, casou-se com ela e tiveram seis filhos.
Nunca se descuidou de evangelizá-los na
Doutrina Espírita e teve em sua companheira, uma médium de apoio
muito necessária na sua missão terrena, com as faculdades de psicofonia,
psicografia direcionada a receita de tratamentos homeopáticos e vidência
nos trabalhos mediúnicos.
Após a morte do irmão Valentim, substituiu-o na presidência
por mais de doze anos e deu continuidade ao seu estilo de exemplificar com palavras
e atos, a Doutrina que sempre amou. Isto porque, naquela época o respeito
e a palavra de um homem era o seu maior patrimônio. Para participarem das
reuniões, as pessoas(1960 ) encontravam poucos postes que possuíam
luzes para a iluminação noturna, os participantes se locomoviam
com seus cavalos, carroças, poucos carros, e os deixavam na frente do
Centro Espírita. Alguém ficava cuidando de tudo. Lá dentro,
na recepção, os frequentadores tinham que deixar suas facas, pistolas
e revolveres no armário da recepção. Seus nomes também
eram anotados e os homens tinham que depois irem sentarem-se nos bancos da ala
da direita do salão e as mulheres na ala oposta. Os trabalhos de doutrinação
dos espíritos era assistidos por mais de 50 pessoas sempre em atitudes
respeitosas e se formavam duas correntes de apoio espiritual. Os médiuns
tinham que se levantar para dar suas mensagens psicofônicas e nas manifestações
para serem doutrinados, na maioria das vezes pelo irmão Olímpio,
permaneciam sentadas. O treinamento para ser um médium era realizado diretamente
na prática mediúnica e tinham que vestir um jaleco branco enquanto
estavam no Centro. O respeito a todos era tão grande, que não havia
espaço para comportamentos indevidos dentro do Centro Espírita.
No momento do passe, os médiuns ficavam em pé formando um círculo
grande e as pessoas formavam as filas para serem beneficiadas. Esse era o ambiente
vivenciado por estes trabalhadores daquela época. Por tudo isto, muitas
vezes o irmão Olímpio foi incompreendido quando dirigia atividades
públicas ou doutrinárias por ser severo com as pessoas que não
respeitavam o ambiente com comportamentos indevidos. Certa vez, interrompeu o
palestrante avisando-o que já havia passado mais de cinco minutos. De
outra, pediu a mãe de uma criança rebelde que estava perturbando
o encontro, que levasse seu filho para o páteo da Sociedade e somente
quando ele se acalmasse voltasse para demonstrar que era uma mãe que se
fazia obedecer pelo filho. Assim era o seu Olímpio, determinado e
dedicado ao extremo em ser um bom pai e um exemplar orientador de almas.
Jogava bola com seus filhos, promovia caminhadas, contava histórias do
quartel e incentivou todos a não serem inibidos frente ao público.
Aos sábados á tarde, todos tinham que se sentarem a mesa e fazerem
todos os temas que precisavam serem feitos. Incentivou todos a comparticipar
da Evangelização, a declamarem e a cantarem os hinos da época.
Tanto é que o nome Caminheiros do Bem, corresponde a um dos hinos que
era cantando nas reuniões festivas.
Como sabia que a educação e o estudo em geral seriam as maiores
riquezas que deixaria para sua família, deu uma bicicleta pra cada um
dos seus filhos irem para o colégio e sempre na ficha de inscrição
constava que a religião era Espírita. Ensinou a todos a terem orgulho
de serem Espíritas.
Por muito tempo ele e a dona Lourdes sofreram decepções com o preconceito
de todos, mas nunca se abalaram com isso, pois já naquela época
realizavam o culto do Evangelho no Lar e recebiam mensagens de amigos espirituais,
entre eles a irmã Marta, uma freira já desencarnada, que muito
orientou a família em momentos difíceis. Eles nunca invocaram espíritos,
pois sabiam que quando eram merecedores, o portal da mediunidade maravilhosa
que a dona Lourdes possuía, e ainda no hoje, seria um canal para os benfeitores
do Além lhes ajudarem.
Em Cruz Alta, o “seu Olímpio” também ficou muito conhecido
por ser o homem que fazia um programa radiofônico chamado a “ Voz
da Fraternidade “, combatido certa vez por um padre que ao falar na missa,
aumentou a audiência do programa. Era o ano de 1965 e o programa ficou
quatro anos no ar com as despesas saindo do seu bolso. Seus familiares participavam
lendo mensagens, declamando ou cantando hinos nas datas festivas.
Transferido para a junta Militar de São Valentim, fixou residencia em
Erexim, e na rádio local também manteve por mais de três
anos um programa radiofônico espírita. Sempre distribuía
os textos a serem lidos para seus familiares que o acompanhavam felizes.
Nesta cidade, descobriu o Centro Espírita Ruben Siqueira fechado e em
péssimas condições. Montou sozinho um plano de recuperação
e reabriu a Casa. Logo, centenas de pessoas lá foram receber o alimento
espiritual para seus espíritos. E assim, por mais de dez anos trabalharam
para aquela comunidade.
A notícia da aposentadoria chegou junto com a aprovação
no vestibular da sua filha Helena Marilim na Feevale . Vieram então residir
em Novo Hamburgo. Depois de estagiarem na Sociedade Espirita em Busca da Verdade,
onde se deram muito bem com o irmão Armando, visitando doentes e enfermos
na região, o irmão Olímpio repetiu o feito de Erexim reabrindo
o Centro Espírita Fé Luz e Caridade que estava semi- destruído.
Organizou toda a parte atingida, a administração, os Estatutos
e reiniciou as suas atividades. Tornou-se o presidente e montou um equipe de
trabalho. Vários trabalhadores das outras Casas começaram a aderir
e logo ele passou a presidência. Humildemente, se integrou as novas equipes
e começou a trabalhar na diretoria.
Com o retorno do seu filho Hugo que esteve por mais de nove anos residindo
em Brasília, começou a desejar construir uma casa Espírita
onde o seu jeito de ser e a experiência adquirida pudesse ser transferida
a outros.
Com a amizade surgida entre seu filho Hugo e Divaldo Franco, não demorou
muito para receberem uma mensagem de Joanna de Angelis, através da mediunidade
abençoada de Divaldo Franco, informando que espiritualmente, já estava
montada uma equipe de apoio espiritual para a nova Casa que logo deveria ser
inaugurada. Em menos de 30 dias, a casa da família em Cruz Alta foi vendida
e comprada outra no atual endereço em Novo Hamburgo. Na noite que antecedeu
a inauguração oficial, o seu Olímpio, a dona Lourdes e o
filho Hugo foram na nova Sociedade realizar o Evangelho no Lar e o espírito
do Seu Valentim, felicíssimo, se manifestou através da mediunidade
da sua esposa, comunicando ter sido o escolhido pela Espiritualidade Maior para
ser o Dirigente Espiritual da Sociedade Espírita Caminheiros do Bem, nome
do hino que cantado no Centro Espírita Fraternidade, em memória
da união que tiveram em prol de um mundo melhor, quando estavam em
Cruz Alta.
Logo logo, a Sociedade se expandiu, construiu-se o novo prédio e hoje,
o Caminheiros do Bem, completou em 31 de março, 24 anos de atividades
ininterruptas. Atualmente, possui mais de duzentos sócios, e uma equipe
de trabalhadores formanda em cursos ministrados pela Fergs e na própria
Sociedade. Mensalmente, mais de mil pessoas são beneficiadas pelas
atividades realizadas na casa.
Tendo em maio de 2004, recebido a notícia através da sua esposa,
que seu segundo filho havia desencarnando de forma violenta, reagiu da seguinte
forma: Deus nunca erra! Chegou o momento de darmos testemunho a ELE que somos
Espíritas. Diga a todos que não quero cenas de desespero e nenhum
pensamento de vingança. Como as lágrimas começaram a correr,
finalizou dizendo: Agora vou orar pelo nosso filho! Eu estou bem, não
se preocupem.
São esses e outros exemplos maravilhosos de dedicação e
amor a causa Espírita, que com certeza no hoje, seus admiradores e seguidores
continuam acreditando e trabalhando na Seara do Divino Mestre. Haja visto, deixa
uma dedicada professora, sua neta Silviane, integrando a diretoria do Centro
Espírita Fraternidade em Cruz Alta, duas filhas, a Solange Elizabeth dirigindo
o Centro Espírita Sebastião Leão em Porto Alegre, com sua
irmã, Helena Marilim na diretoria e, seu filho Hugo Dagoberto, atualmente
na direção da Sociedade Espírita Caminheiros do Bem.
Finalizamos enviando ao nosso dedicado irmão Olímpio Carvalho,
uma vibração de admiração e gratidão, pedindo
a Bondade Divina que o recompense com muitas bençãos e alegrias
celestiais pelo cumprimento da sua nobre missão terrena. Que Assim
Seja!